16 Fevereiro, 2012 (01:44)

-passa

Começa comigo andando, não conheço o lugar, ou o motivo pr'eu estar indo embora. Vejo-me de fora, mas logo passa. Meu estômago dói e tudo tem tom de outono. Continuo andando, não existe ninguém - provável que nem eu. Fico procurando passarinhos, penso em nadar. Os pensamentos que vem não saem de mim. Não está calor, mas tiro o casaco. Minha cicatriz é colorida. Sorrio. Imagino um gnomo de barba ruiva enviando os pensamentos até mim. Sento-me em um banco. Lá longe vem alguém. Minha cabeça começa a projetar uma série de imagens. Índios, índia, eu. Tudo cai. Calça sapatos com cor de madeira ressecada. Reconheço-o. "Posso me sentar?". "Por favor" (Esse vem de mim).


(01:43)

IVX


Toda quinta ele vinha, sentava no parapeito da janela e bebia três goles de café. Eu ficava lá olhando, recitava em silêncio todas as cicatrizes que lhe marcavam a pele. Gostava de pintar páginas marcadas de meus livros velhos. Punha-me deitada, nua, sobre o sofá cor de carmim, pra então me morder as costas e pingar guaxe gelada em meus ombros. Tudo parava.

"Aprendi a voar"


(01:43)

verde-garrafa

Toda vez que ia escrever sobre você não o fazia, pois me faltava música. Daquelas que tocam por dentro, quando a gente flui sobre alguém. Hoje entendo que você é grande demais pra caber em uma. Entendo que o que devo fazer é me colocar lá no meio do mar, esperando o sol me esquentar o corpo cheio de sal. Aí flui. Flui em forma e som de carinho. Tudo num tom meio verde, meio sorriso, meio gole de chá.