31 dezembro, 2008

Find. Not Lost.


Acordei agitada. Melhor, nem dormi de agitação. Hoje era o dia. Levantei da cama e coloquei a roupa que já tinha separado na noite anterior. Recusei seja lá o que fosse que minha mãe me empurrava a mesa do café. Falei que comeria no avião. E assim eu sai de casa. Agitada.

Encontrei minha poltrona no avião, ficava ao lado do corredor. Olhei pra cadeira ao lado esperando encontrar alguém pra conversar comigo enquanto não chegava ai. É, acho que o senhor sem dentes da cadeira ao lado não pretendia conversar durante esse vôo. Duas horas já tinham se passado. Espero já estar chegando, meu amendoim acabou.

Desci da área de desembarque puxando a minha mala preta e tentando lembrar seu endereço. Entrei em um taxi, enfim havia lembrado seu endereço. Falei qual era ao taxista e dentro de poucos minutos estava chegando à sua casa. Vermelha, como eu havia imaginado. Mas a melhor parte não estava em ter acertado a cor da sua casa quando imaginei. Não. A melhor parte estava parada perto do portão. Você.

Com um cabelo vermelho e olhos azuis. Você via o taxi parar do portão. Você que havia sido tão importante pra mim em dois mil e oito. Você que apesar de todas as barreiras que se intrometiam entre nós estava ali, sorrindo pra mim.

Sem querer dei uma nota de cinqüenta reais ao taxista. Mas quem se importa? Ali estava você!
Nostalgia? Não.


Então, como acho que essa é a ultima vez que entro no computador, esse ano, aqui vai aquele post com as coisas boas e não tão boas que aconteram comigo.. Ér, não. Só queria deixar marcado que esse ano as coisas pareciam que não iam mudar, tipo mesmo. E só dar esse ultimo mês e tudo mudou tanto. To torcendo que tudo seja pra melhor né. Mas mesmo que não seja, mudar já é legal.. Feliz ano de 2009 pra você que tá lendo. E um provavel eu te amo, também.

28 dezembro, 2008

Não estou usando uma touca.

Peguei a tesoura, a toalha e já tenho um espelho à minha frente. Acho que peguei tudo. Esqueci a coragem. Coragem pra que? É só um cabelo. E se ficar estranho? Use uma touca. Touca? Que nojo. Nunca usaria uma touca.

Estou usando uma touca. Não acredito que estou usando uma touca. É uma touca marrom. Acho que a usei janeiro passado. Usei porque lá estava frio. Choveu o dia inteiro aqui. Isso não significa nada. Estou com calor. Ótimo. Liguei o ar.

Acho que me curei de você. Curar? Você não estava doente. Desconheço tanto o que costumava sentir. Costumava? É costumava. Tenho medo de você. Do que você pode ser. Não tenho medo da doença. Se quer saber, é você que me assusta. E ao mesmo tempo que me assusta, me cativa. Maldita doença. Estou com saudades de você.
as vezes as coisas não saiem da maneira que queremos..

espero que pelo menos saiam.
não estou com tempo pra me importar com maneiras dessa vez.
já esperei e me importei com isso por tempo demais.
cadê você?

27 dezembro, 2008

Hey, Dylan.


Tinha acabado de descer do ônibus com minha pequena mala azul forte quando te vi me encarando. Se eu sorri com o seu sorriso? Claro que sorri. Mas sorri ainda mais quando você veio correndo me abraçar.

- Meu deus! Como eu agüentei tanto tempo distante de você? – Você me perguntou enquanto pegava minha mala e caminhávamos para o seu carro.

- É o que eu me pergunto todos os dias – Respondi encarando seu fusca. É ele tinha um fusca. – Até hoje com esse carro? Pensei que quando você começasse a ganhar dinheiro ia trocá-lo.

- Trocar? O meu fusquinha? Jamais! Não vê como ele é diferente dos outros carros? – Ele perguntou abrindo a porta para mim.

Diferente? Eu não sei se diferente seria a palavra certa. E que eu preferia que você tivesse me buscado com outro carro preferia, mas tudo bem. Quer dizer, realmente era um fusca.. Ajeitadinho? Tinha uma pintura vintage, se é que posso falar isso de uma pintura. E era decorado com adesivos de bandas. Ok, era mesmo um carro bonitinho. Me sentei no banco de passageiro. Você deu a volta e sentou no banco do motorista. Ligou o som. Tocava Celebrity Skin - Hole. Você abriu as janelas. Você sabia que eu gostava de escutar essa musica com as janelas abertas. Você sabia que eu esperava escutar essa música hoje.

Você sabia que eu também me perguntava como Eu havia conseguido passar tanto tempo longe de Você?

26 dezembro, 2008

M.L. (texto não real)



Estava sentada no banco daquela praça nova que inauguraram quando você veio falar comigo. É, aquela praça nova. Com a estatua àquele homem engraçado que te mostrei semana passada. Lembra? De qualquer forma não estou aqui pra falar da estatua, e sim de você, suas palavras e toda surpresa que eu percebi sentir enquanto você as dirigia à minha pessoa.
“Precisamos conversar” Ele disse se sentando ao meu lado.
“Conversar?” Perguntei fingindo não entender. É eu estava fingindo. Minha amiga já havia me contando que você queria falar comigo. Não que ela tenha me falado sobre O que diabos você queria conversar. Isso nem eu consegui arrancar dela. Mas de qualquer forma, fiz meu melhor ar de surpresa.
“Sobre nós dois. Sobre mim. Sobre.. Você” Ele falou. Parecendo.. Culpado?! Meu deus, então eu era corna? É a minha amiga tinha razão em não ter me contado aquilo. Eu provavelmente ia falar que ela estava mentindo porque queria tirar ele de mim. Mas ela deveria saber que eu só falaria isso de brincadeira. Certo?
“Diga” Respondi tirando os fones do meu Ipod do ouvido. Estava tocando Boston, do Augustana. Vai que era um sinal. É, realmente devia ser um sinal. Afinal se tudo desse errado eu viajaria para Boston. Ninguém saberia nem meu nome.
“Eu andei pensando muito. E..” Como se fosse bom pensar muito. Todo mundo sabe que nada bom sai da sua cabeça se você pensar muito. Deus, até meu Cachorro sabe disso! “E percebi que eu te amo muito, muito mesmo. Mas..” E quem foi que inventou essa.. Coisa mesmo? Mas?! Que porra de não palavra é essa pelo amor de Deus?! “Mas.. Eu percebi que apesar de te amar hoje, de um jeito diferente, sabe como é, mais do que como amigo.. Eu tenho saudade de outras coisas. Coisas como te contar de todos os meus rolos e rir vendo você falar que meu coração é de pedra.” É realmente, depois de tudo que você já mostrou que sente por mim eu não teria nem como te chamar disso. “E sabe, nós nem namorados somos! E nem precisa fazer essa cara de ‘por-que-você-nunca-me-pediu-em-namoro-?’ porque você mesma já me falou que não aceitaria” É, eu realmente estava fazendo aquela cara. E bam, legal campeão, eu também tinha falado isso. Mas quem se importa!? Há uma grande diferença entre falar e Realmente fazer.
Ok. Eu já tinha divagado demais entre respostas, até pra mim mesma. E estava ficando frio. “Ei, acho que você já sabe a minha grande resposta pra tudo isso né?” A-há, ele está sorrindo agora.

“Sei sim. Vem cá. Quero um abraço seu, Menina Linda.” Te abracei. É, eu realmente deveria te namorar, Menino Lindo.

Waiting, for you to come true that door.

Eternidade?


(Escutar: Stranger Things Have Happened - Foo Fighters)

Sabia que ao ouvir a campainha a menina tinha descido as escadas correndo, parando somente para se olhar no espelho antes de abrir a porta. Não a tinha visto fazendo isso, mas desde o momento que ela abriu a porta, com aquele sorriso que ele sabia que ela também guardava só para ele, que era oque ela havia feito. Não ficou muito tempo pensando nisso. Aproximou-se mais da porta, indo em direção a garota e a abraçando com força. Força demais talvez? Não importava. Queria apertá-la tão forte que seriam um só. Sentia o coração dela bater junto do seu. Não queria que aquilo acabasse. Nunca.

Porém se afastou um pouco da garota. Não longe demais ao ponto de parar de sentir a respiração da menina tocar seu rosto. Sabia que ainda precisava daquilo. Então, foi olhando fixamente nos olhos da garota que falou “Eles querem que eu vá. As coisas tão piorando. Tentei o possível, mas.. Não dá. Tenho que ir.” “Você, você não pode ir!” Respondeu a menina já não conseguindo conter uma lágrima que lhe escorria pela bochecha. Ele sabia que isso ia acontecer. Sabia que aquela mesma lagrima ia cair, e as mesmas palavras sairiam da boca daquela garota. Havia passado noites em claro imaginando em como seria quando aquele dia chegasse. Pediu então para a garota prestar atenção no que ele ia lhe falar. Sem chances. A garota chorava compulsivamente enquanto encostava a cabeça no seu ombro, abraçando-o. Resolveu falar assim mesmo. “Eu posso ir embora. Ficar longe por muito, muito tempo. Mas esse amor que eu tenho por você não vai simplesmente sumir. Nem que eu quisesse sumiria. Mas ficar pensando nele agora só vai nos fazer sofrer. Eu sei que é difícil. Sei que Vai ser difícil. Mas vou guardar todo esse sentimento comigo, e um dia, daqui a três meses… Dois anos. Quando for a hora certa. E eu sei que essa hora certa vai chegar. Vou poder tirá-lo de onde guardei. E aí, prometo te fazer a garota mais feliz do mundo. Prometo que vou cuidar de você da forma que sempre quis, desde o primeiro momento em que te vi. Prometo.” Com isso a beijou na testa.

Agora já não conseguia conter suas própias lágrimas que molhavam o cabelo da garota. E foi naquele momento, momento que nem nas suas noites em claro ele havia imaginado, que ali mesmo entre lágrimas, a menina falou que o amava. Alguém que os visse ali, abraçados naquela soleira, veria um casal realmente triste. Mas naquele momento ele pode ver que os olhos da menina que ele abraçava sorriam para os seus. E acima de tudo viu que suas palavras mais do que nunca, eram verdade.

Continuar.

Clic?

Dezembro de 1999

- Mãe, quem são esses homens segurando o papai?

- Amanda, minha filha, vá para o seu quarto. Agora.

- Mas, mãe

- Amanda, Agora. Depois eu vou ir lá falar com você.

Esse foi provavelmente o “Depois eu vou ir lá falar com você” mais longo de toda a minha vida. Demoraram exatamente 36 horas e 42 minutos até eu saber o que havia acontecido ao meu pai. Como eu sei o tempo exato que demorou? Simples, eu fiquei no meu quarto, contando o tempo. Eu e meus sete anos de vida esperávamos meus pais voltarem pro lugar que chamávamos de casa.

- Filha, seu pai teve que fazer uma viagem.

Foi assim que eu a revi, não estava com sua melhor cara ou seu vestido bordado de sempre. Não. Eu não era muito esperta, mas pude perceber que aquelas palavras não significavam uma coisa boa. E realmente não eram.

Minha mãe não me contou nada, quando eu perguntava o porquê dele não ter se despedido de mim ela falava que foi tudo às pressas, mas que ele telefonaria em breve. A mentira é claro, durou somente até o final de semana.

Foi só chegar à escola para perceber que o assunto dos meus colegas era nada menos que meu pai. “O que tem meu pai?” eu perguntava. Era respondida por perguntas como “Você não sabe?” ou pior, afirmações “Ele foi preso!”. E foi assim que descobri a verdade, ele não havia viajado, não, não, havia sido preso.

Um mês se passou, e a pesar de já saber que eu sabia o que havia acontecido, minha mãe sempre negava o assunto quando eu a perguntava. Ninguém conversava sobre isso na casa, era proibido. Seguíamos a vida normal. Até que a história começou a interferir no trabalho da minha mãe. Ela foi demitida. Já estávamos no segundo mês e devido ao acontecido ela ainda não tinha arranjado um emprego. Final do segundo mês e lá estava eu, na porta do lugar que chamava de casa, com minhas malas esperando o Táxi chegar.



Nove anos haviam se passado desde o incidente. Novos longos anos de uma vida não estável e cheia de turbulência. Por outro lado nove anos que haviam finalmente me ajudado a me acostumar com as constantes mudanças. Só pelo que me lembro agora já morei em cinco paises diferentes. E hoje, junho de 2008, aqui estava eu, de frente ao novo lugar que chamaria de casa, eu e meus recém concebidos 16 anos em Londres.

- Seu quarto é a ultima porta do corredor do segundo andar. – Falou minha mãe.

Minha mãe, ela tomou muitas atitudes erradas durante esses anos, mas com o tempo eu comecei a aceitar e perceber que deve ter sido difícil pra ela. Descobrir que o marido estava envolvido com o financiamento de armas ilegais, ver ele preso, perder o emprego, e aparentar normalidade para uma filha. Não que ela tenha conseguido esse ultimo muito bem…

- Ta certo, vou ir arrumar minhas coisas lá. E depois acho que vou ir andar um pouco, ta?

Ela tinha começado a carreira na moda que antes, com meu pai, era só um hobby, e agora era o que nos rendia dinheiro. Uma quantia nada mal por sinal, tendo em vista que a marca da minha mãe se expandiu muito. Ainda mais porque pelo menos em cada país que ficamos uma loja foi aberta!

Mas enquanto minha mãe tinha crescido nessa carreira possivelmente brilhante, eu acho que não tinha mudado muita coisa. Em toda minha vida só tive um namorado, e isso foi antes de descobrir que meu pai havia sido preso. Nas duas primeiras cidades em que ficamos eu até fiz bastantes amigos, mas o sentimento de ter que abandonar tudo depois de ter conseguido enfim formar laços estáveis de amizade me fez perder a vontade de formar outros a partir da terceira cidade em que morei. Aprendi a controlar o “nível de importância e influencia” que as pessoas podiam ter na minha vida e a partir daí nunca mais consegui me envolver com alguém.

Abri a porta da casa, pelo que eu tinha reparado era uma casa normal, ainda mais porque todas as casas na rua eram iguais á essa. Dei de cara com uma sala… Confortável, com uma porta pra cozinha, outra pra com certeza um futuro quarto de trabalho pra minha mãe, e uma terceira que descobri ser algo parecido com uma biblioteca. Não pude deixar de sorrir, como não tive muitas coisas pra fazer, durante esses anos tinha adquirido um gosto árduo pela leitura além de uma enorme coleção de livros que realmente precisariam daquele espaço. Obrigada mãe.

Mais à frente da sala havia uma escada que dava para o segundo andar, que era formado por um extenso corredor repleto de portas e uma ao fundo que, imaginando ser a do meu quarto, abri.

O quarto definitivamente não era ruim, tendo em vista os outros que eu já havia tido depois do ocorrido. Era grande, e já estava com os móveis. No centro do quarto havia uma cama de casal que fiz questão de cobrir com uma colcha que fora bordada pela minha avó, havia também uma penteadeira, um armário e uma escrivaninha onde coloquei meu laptop e o resto das coisas que estavam na minha bagagem de mão.

Foi aí que reparei na parede vazia do quarto, era uma parede de madeira e possuía uma janela avarandada, onde coloquei algumas almofadas. A parede porém foi provavelmente a minha parte favorita do quarto. Aproveitei o espaço e o clima que a madeira criava para pregar todas as minhas fotos. Sim, fotos. Era algo que eu gostava de fazer, fotografar. E pelo que parecia eu nem era tão mal assim. Tinha fotos de todos os lugares que eu morei, e outros pelos quais só passei, sem deixar de lado é claro a minha foto favorita. Nela pode se observar a minha mãe com um belo sorriso no rosto, eu segurando um urso de pelúcia desgastado, e a melhor parte da foto que sou eu sendo abraçada por ninguém menos que meu pai. Você pode achar estranho, tendo em vista todas as coisas horríveis que ele fez, e que eu provavelmente nunca vou descobrir. Mas apesar de tudo isso, eu sei que pelo menos quando estávamos assim, como na foto, eu ele e minha mãe, ele não era esse homem horrível de quem ouvi falar. Ele era meu pai. Aquele que eu sempre esperava chegar do trabalho pra ir correndo abraçar, e sentir ele apertando meu nariz enquanto dizia que me amava. Naquela foto ele era o pai que me fazia tanta falta.