25 agosto, 2009

Lila

Toquei a campainha. Eu segurava uma estrela em minha mão esquerda. Na outra, uma carta.

Não ter a certeza se você ia descer correndo as escadas, parando somente pra se olhar no espelho, como fazia há três anos, era triste. Eu já não sabia de nada, não sabia a cor dos seus cabelos, se ainda tinha o mesmo brilho nos olhos. Só sabia que ainda te amava.

Você abriu a porta. Eu que contava com a possibilidade de receber aquele sorriso que me fazia tanta falta, me decepcionei. Eu sei que não deveria, afinal, três anos tinham se passado, mas eu não conseguia não esperar por aquele sorriso. Como Aquele sorriso podia não estar mais lá? Você só me encarava. Estava perplexa. Não conseguia emitir nenhuma palavra.

Eu estava quase aceitando a possibilidade de você não ter me reconhecido, quando vi a primeira lágrima cair. Finalmente, a menina que tinha feito a saudade me consumir durante todos esses anos, estava ali. Abracei-a. “Você tem o cheiro das minhas saudades” Sussurrei no seu ouvido enquanto sentia nossos corações baterem juntos. Finalmente, juntos. Você continuou sem pronunciar nenhuma palavra.

“Tenho medo de falar algo errado e te perder de novo. Eu não posso, não agüentaria. Há três anos eu abro essa porta esperando por você. Já tentei fingir que tantos outros eram você. Nunca consegui me enganar muito bem, você sabe. Você guardou o seu amor, como me prometeu? Porque eu guardei o meu” Não consegui te responder. Eu estava chorando de novo. Mas dessa vez era por ter voltado pra casa, voltado pra você. “Eu nunca precisei guardar o meu amor.”

Ela era uma estrela reduzida a um termo breve.
Ela era o meu amor.

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