03 setembro, 2009

If I Had Wings, I'd Follow You Up There

Se eu fosse um ser humano, tenho certeza de que as cartas que encontrei dentro da caixa de sapato, que você deixou aberta sobre a cama, teriam sido dissolvidas por lágrimas. Mas eu era apensar um peixe e a correnteza se pôs a levar a caixa pra longe de mim.

Veja bem, eu nunca fui de amar alguém assim. Sempre deixei isso pras pessoas. Você até pode dizer que eu tenho um rosto estranho como todas elas, mas sabe qu’eu não as suporto. Quando as vejo andando por aí, gosto de imaginar que cada uma delas tem um alguém que as ame. Desde que você se foi, esse tem sido o maior motivo pr’eu não suportá-las. O amor que alguém tem por elas me faz lembrar o que eu ainda tenho por você.

Ontem à noite, enquanto letras, que eu há muito já desisti de ligar, saiam da boca do João, eu me lembrei do seu “Ei”. O João não entendeu, mas uma lagrima rolou sobre a minha face e eu o deixei com aquelas letras no quarto. Fui para o jardim.

O tempo não foi o suficiente para evitar as lágrimas que a cidade em que te conheci trazia. Tive que me mudar. Quase não o fiz, pois assim não poderia visitar-lo nas quintas ímpares do mês. Foi então que tive uma idéia. Quando comprei essa casa com o João, plantei uma árvore no jardim, a das flores que você gosta. Agora o visito em qualquer marcação ímpar de tempo.


(Eu não suportaria
ser um peixe
que carrega a perda
da pedra que quase
foi tudo que ele sempre quis).

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