13 setembro, 2009

Misto-Quente

Tudo começou quando o Roxo Anil do sol entrou pelas frestas da cortina. Há dias eu não tinha vislumbres de cores. Levantei-me. Estava diante do espelho. Meu braço era transparente. O sangue havia sido substituído por uma Sopa de Letrinhas. Eu estava vestida em um azul constante. As letras variavam de tom a cada piscar de olhos. Tijolos me rodeavam. Estavam empilhados. Formavam um muro. Havia uma fresta, ou cinco. Nada que me permitisse enxergar o outro lado. Sentei-me. Já havia cinco paginas de sonhos acordados. Todos contigo. Virei a página. Eu era canhota. Nunca havia sido canhota, mas não vi nisso um grande problema. "De cabeça para baixo, todos seriam canhotos".

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