16 outubro, 2009

Enfim, meu doce lar.

Tirei as cartas do bolso. Estava lotada de pressa. Uma para cada amor, uma para cada sorriso.  As deixei em baixo de uma garrafa que tinha pintado na noite anterior. Haviam estrelas e cores derramadas por lá. Você me chamou, usou um pronome possessivo no começo da frase, sorriu. Lá vinha o sol. Tampei meu rosto com as mãos, sorri. Abriu a porta do carro para mim. Era amarelo, um fusca. Tocava The Diamond Sea do Sonic Youth.

Iríamos ao Novo México e eu desenharia corações de protetor solar em sua pele. Depois, congelaríamos na suíça enquanto esperamos o café esquentar. Pescaríamos sonhos no ártico e memórias no sul. No paralelo 45 você diria que me ama e no 50 escutaríamos Beatles até pôr-do-sol.

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