30 dezembro, 2009

Londres, 25 de julho.

Sinto teu gosto no tempo que passa.

Isso

Talvez minha Pequenina tenha criado seu próprio lugar laranja dentro de mim.
Talvez eu nunca a entenda ou defina.

28 dezembro, 2009

Capítulo 12

Estou deitado em frente a tua varanda há tempo suficiente para julgar-me sóbrio por uma vida inteira. Você sumiu, Sara.

Cinzas e saudades,
Nick.

25 dezembro, 2009

Capítulo 11

Escapei de Cardiff na segunda cerveja do terceiro bar. A cerveja não era boa e a inconveniência lhe escapava pelos poros. Me dirigi ao banheiro mais próximo e em um impulso escrevi com um batom as letras agá, ele e pê na parede. Todos os dias soavam como adequados últimos dias e um notável talento de despertar os piores defeitos em desconhecidos vinha me acompanhando.

Sentei-me enfrente ao balcão, bebendo um vinho barato. Pude vê-lo sorrir com os olhos antes de se apresentar. Chamava-se “Louis”.

Louis bebeu de meus lábios e encantou-me com as palavras. Ou meu talento não se manifestava em sua companhia, ou eu havia perdido o importar. Surpreendi-me com a quantidade de palavras que lutavam para sair de minha boca, eu, que de longe não era assim.

23 dezembro, 2009

Capítulo 10

Havíamos levado cervejas, cigarros, e um som azul ao parque. Queríamos ficar próximos a velha arvore, mas Stella insistiu, com palavras, que procurássemos por novos cantos. Com os olhos, mostrou-nos que não queria lembranças daquele lugar com um alguém que não o Ian.

Repousamos-nos então, sob um grande campo, sem flores, sem árvores.

Tocava Aurora do Foo Fighters. Eu estava deitada, sentido o sereno que repousava sob a grama refrescar minha pele. Nick cantava, já há alguns passos de mim. Sorri, estava lindo. Vestia o seu velho jeans rasgado e tinha os pés nus; se não fosse pela jaqueta de couro, o tronco também estaria.  Stella dançava junto a Theo, seu novo e poente amor. Pus-me a levantar. Tirando Nick de suas canções e o pondo a dançar junto a mim.

Dançamos até o amanhecer, era natal.
As estrelas nunca estiveram tão bonitas.

18 dezembro, 2009

Teus sorrisos me trazem outonos

Meu corpo, assim como meu coração, desmaia. Preencho-me com tudo que não sou eu, pois ainda não aprendi a lidar com os sentimentos que se fixaram em minha essência. Minha alma é como a fronte de teus sonhos, de seu louco portar.

Sussurrou, então, um sublime “Até logo”.

Aprender a ser livre

Ganhei meu primeiro par de asas no dia dezoito de agosto de mil oitocentos e sessenta e seis, meu desaniversário. Vieram acompanhadas por fumaças que seguiam sempre para a direita e pelo sorriso mais bonito do mundo. Logo me pus a abri-las e experimentá-las, mas, onde procurava toda a felicidade do mundo, só encontrei a dor.

15 dezembro, 2009

Capítulo 9

Era o décimo quinto dia de novembro quando Nick sugeriu que fossemos para a Alemanha. No décimo oitavo, estávamos em Munique.

- Quero ir à Augsburg, conhecer a cidade de Amadeus. – Nick falou, em meio a lutas contra o seu sorvete de baunilha.

O próximo trem para Augsburg só sairia daí a um dia. Nick sugeriu que alugássemos um carro, chegaríamos a Augsburg dentro de algumas horas. Não chegamos. A neve bloqueava o caminho.

Estávamos, então, há muitas horas de Munique, e meia de Augsburg. Mas o frio não nos permitia caminhar até lá. Ficamos no carro. Nick ligou o rádio, tocava She Is Love. Riu, há pouco me falara como essa musica me trazia a sua mente. Não foi o aquecedor, os casacos, ou os cigarros que fumávamos que me protegeram do frio, não, todo o meu esquentar estava concentrado ali, naquele fraco riso.

11 dezembro, 2009

Eu e minha Claire (ou Límpido)

Há cento e quatro passos daqui, vivia uma menina que talvez conheçam pelo nome de Emily. Para mim, era Claire. Todos os dias eu recostava a minha bicicleta azul na calçada em frente à casa de Claire. Ela era uma criança e eu também, mas nos amávamos com um amor que nem todas as cores do arco celeste poderiam compor.

03 dezembro, 2009

Capítulo 8

Stella vestia uma camiseta do Sonic Youth, que lhe caia dois palmos acima dos joelhos; por baixo, uma meia-calça preta. Eu a acompanhava. Vestia a camisa social que Nick me dera e uma meia-calça branca com rasgos irregulares sob meus joelhos. Nick vestia o seu paletó berinjela e Ian calçava um par de tênis amarelos.

Estávamos sentados na calçada e, fora a lua e as estrelas, nossas únicas fontes de luz eram o acender e o apagar de nossos cigarros. “Se este é o fim do mundo, porque não estão todos na rua, gerando seus próprios apocalipses ou sussurrando adeus?” Perguntou Ian, se levantando. “Estão todos muito cansados” Respondi. Ian deu quatro passos e se abaixou, pegando um saco que também descansava sob a calçada. Tirou uma garrafa de Absolut Vanilla de seu interior e ao som de um sorriso abriu-a. Tomou três goles. Voltou até nós, passou a garrafa para Stella que, também com três goles, passou-a para mim. Também bebi meus três goles, mas não a passei para Nick. “Que há com você, Sara? Passe-me a garrafa” Ele resmungou. “Você não bebe Vodka, Anjo” O encarei. Ele sorriu. Tirou a garrafa de minhas mãos, tomou seus três goles e falou “Não sei se esse é o fim do mundo ou só o começo de outro dia, mas hoje, Pequena Sara, eu definitivamente bebo vodka”.

02 dezembro, 2009

Au nom

Embora os olhos inconstantes, que lhe dão a sutileza do amor; bem sei quanto lhe custou, forjar a vida. Diria: “Pois traga-nos a dor, que ela nos conforta! O céu, o inferno, de que importa? Estarei junto a ti.”

Em nome de teus silêncios, e do nada porderá nos separar.