28 março, 2010

rascunho anil

Galopeio ao som da ultima melodia de meu coração.

Ele veste tons casuais e tem os cabelos tão negros quanto os teus.

Ele é toda a angustia que prometo transformar em carinho.

coincidente

De que adianta ter-nos guardado dentro daquela gota de chuva, se agora vejo que a carregou para tão longe? Já não sou capaz de sentir as faíscas de nossa vida roçarem-me a pele. Costumava recitar todos os tons de teus sorrisos antes de dormir e agora já não me lembro de nenhum.

Fostes de minhas manhãs, tardes, e noites, para outro de meus delírios impenetráveis.

23 março, 2010

eu sei

Tua mão tremula acaricia-me o rosto, toda cheia de amor.

O cansaço me inunda os olhos, mas não hei de fechá-los;
há muito não via teus traços fugirem de minha mente.

Chuva turva, que apaga tua hipocrisia enquanto sorrimos.

21 março, 2010

camomila

Poderia passar números infindáveis de manhãs observando o sol lhe acariciar a pele. Comeríamos framboesas, pois essas têm a mesma cor de teus lábios; e, recitando cada um dos poemas que encontrasse dentro de teus olhos, morderia-lhe os ombros.

teu medo

Foi quando me sorriu com um sorriso de mil pétalas de girassóis e café que corri. Corri o mais rápido que pude, pois já não era capaz de agüentar nenhum outro minuto ao teu lado. Amar-te-ia com um amor de pêssegos, folhas secas e beijos sempre curtos; mas já havia doce demais dentro de meu coração.

09 março, 2010

Capítulo 19

“Posso lhe encontrar na terça”, falei, “quando o mundo inteiro se calar”
“Certo, onde você vai estar?”
“Eu te ligo”

Ambos sabíamos qu’eu não ligaria. Nick havia nos deixado há muito. Acordei uma manhã com a notícia de qu’ele havia ido para o sul escrever poesias, e só. De qualquer forma, sua voz estava abatida e marcar possíveis planos sempre o fazia sorrir.

“Quer chá?”

07 março, 2010

febre

És uma gota de vinho que, entorpecida, dança ao ritmo de uma bela melodia. És um feixe de luz fugido, o tardar que fita-me o rosto. És uma emoção acanhada puxando-me os cabelos.

E irás ouvir “És o torpor febril que, me inundando o corpo, dá-me vida”

03 março, 2010

"tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida"

Descansa ao pé desta árvore, Anjo. Trago-lhe um coração companheiro e girassóis que arranquei dessa terra que viu-nos passar.

Por vezes vi-me junto a sons soturnos de mágoas amargas, melancólicas. Era tudo um pulso febril e agitado antes de ti, Anjo. Mas você chegou e, com teus botões e encantos, floreou o meu viver.

Desde que tuas asas se soltaram e voaram para longe a dor voltou a morar em minh’alma.

Mas logo há de vir a noite, Anjo. Descanse ao pé desta árvore torta que, antes mesmo que o sol nasça, os ventos hão de me soprar até ti.

porta

A madrugada chegou e trouxe consigo todo o frio desse mundo. Meu corpo seguia um ritmo desconexo de tremores e sangue escorria de meu braço. Não fazia idéia de como havia chegado ali. Havia caído dentro do buraco de mim mesma. Afogava-me dentre aquele bafo de lágrimas e sussurros contidos.