27 abril, 2010

O Grafite Cor de Grafite Acabou

Estou há duas semanas de casa. As xícaras de chá acabaram e agora só nos restam goles de vinhos vagabundos. Balbucia algo. Tua voz me é familiar, mas não consigo lembrar por que. O quarto está escuro, as velas também acabaram; só restam lampejos de nossos cigarros. Começo a correr. Meus pés encontram escadas e percebo que nada me cobre o corpo. Você segue correndo atrás de mim. Setenta e oito degraus até o topo do prédio. Paro. Tudo é tão frágil.

13 abril, 2010

wont you come back home?

A fumaça sai de minha xícara de chá e me roça a pele. Estou só, mas posso ouvi-lo tocar o piano. Toca a canção mais triste do mundo. Que é só minha, dele, e de tudo que temos. Posso ver as mãos pálidas indo de uma nota a outra, o tronco sempre nu, e o medo sob os lábios.

Suspiro, ele se vai.

10 abril, 2010

1 Rascunho Para Lê-lo

Tens todo o azul que ganhei e perdi.
Tens ternura, e palavras lisonjeias.

07 abril, 2010

Pesadelo I

Começa a rasgar-me o braço em expansões de raiva desconexas. Minha mente busca outros traços de sonho, mas estou sozinha. Dói. Acordo gritando.

05 abril, 2010

voou além

Vestia uma camisa social xadrez com queimaduras de cigarro nos punhos. Uma ou duas pinceladas de tinta em sua face e todo o brilho deste mundo em seus olhos. Avistou doces lágrimas salgadas e disse:

– Que belo sonho eu tive. As nuvens, em um delírio, fugiam do céu.

Sorria, envolto por uma melodia imortal.