28 setembro, 2010
orgânico
Seu corpo é comprimido. Tua coluna (pescoço, ombros) estala. Em um primeiro momento, um sorriso te escapa dos lábios. Estar tão próximo do chão fazia-te sentir mais vivo do que nunca. Mas esse sentir acaba lhe tirando o fôlego e busca e busca e busca por ar; mas só encontra palavras que, descendo ásperas até teu pulmão, não lhe tiram o sufocar.
12 setembro, 2010
up the river
Acordei com o calor do sol me tocando a pele. Estava deitada sobre uma nuvem, havia dormido por trinta e sete dias. Você já estava acordado. Senti vontade de lhe perguntar há quanto tempo o sono lhe escapara, mas, em um silêncio tão belo, palavras seriam como lâminas. Beijou-me o rosto e, pulando de nuvem em nuvem, me chamou para dançar. Pulei tão alto que por segundos tive a sensação de voar. Você riu (e não há nada tão doce quanto teu riso). Dançamos, então, até que nossos corpos ficaram tão quentes que fomos um. Um que desceu até o rio, molhou os pés e cantou à vida.
07 setembro, 2010
Capítulo 26
O meu lugar favorito em toda a Alemanha se chama Insônia. Tem as paredes cor de cinza e todo dia, às 04h06 da manhã, toca “Whe I grow up” do Fever Ray.
Costumávamos ir lá, às terças. Eu, Garrel e seus três amigos (cujos nomes eu nunca soube). Esperávamos o cuco, que ficava na parede perto do bar, cantar seu nome quatro vezes e então bebíamos um vinho barato; que sempre chegava ao fim antes do começo da música.
Também íamos a uma praça, a setenta e cinco passos do Insônia, onde Garrel e seus amigos faziam sua música. Para que todos entendessem que o importante em sua música era tudo, menos as palavras: cantavam em todas as línguas que não fossem o Alemão.
Eu ficava em um banco próximo e vez ou outra um deles vinha dar um trago em minha bebida. Conversava comigo por vinte minutos, ou uma hora. Sempre o suficiente pr’eu entender que a pouca importância que davam às palavras em sua música equilibrava-se com a muita importância que davam a essas em sua vida.
Falavam e falavam e falavam, até que suas almas fluíssem e não precisassem mais se concentrar.
Eu ficava em um banco próximo e vez ou outra um deles vinha dar um trago em minha bebida. Conversava comigo por vinte minutos, ou uma hora. Sempre o suficiente pr’eu entender que a pouca importância que davam às palavras em sua música equilibrava-se com a muita importância que davam a essas em sua vida.
Falavam e falavam e falavam, até que suas almas fluíssem e não precisassem mais se concentrar.
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