26 novembro, 2010

Logh

E se a gente pular de uma ponte? Entrar n'um carrossel que nunca vá parar de girar? A gente podia virar todos os copos e todas as noites do mundo, dançar até ter sangue nos pés.. A gente podia se perder, se achar, o que importa é fazer tudo junto um do outro. Bem perto, assim, com tua respiração dentro da minha. – Sopro teu nome no ar e você logo escuta –  A gente podia passar dias sem comer, dias sem falar. Pintar todos os bancos do mundo de azul e cada parede de uma cor. A gente podia voar, correr, sorrir, ser tudo aquilo que um dia o mundo não quis.

21 novembro, 2010

1997

Teus dedos, olhos, boca. Tudo sorri. Acaricia-me a pele e sinto estrelas escorrendo de teus calcanhares até meus cabelos. Posso voar.

Posso dançar com as andorinhas, sussurrar cantos tão belos quanto os de rouxinol. Posso ser sua – e bem sei que não há nada melhor que isso.

Mas a música vai acabando, teus pés vão voltando a ser pálidos. Tenho medo de te perder. Medo de chorar outros sete oceanos e alagar-me novamente.

Quero ser livre. Quero saber dividir o nome de minha liberdade contigo.

Âncora

Mergulha. Sente cada contorno de teu corpo ser envolvido pela água. É bom. Começa uma doce dança; tuas pernas, braços, tudo vai e vem em sincronia com o mar. Feixes de luz escorrem até ti e se põem a brincar com teus cabelos. Teu pulmão pede por ar.

Dói-lhe a pior dor do mundo. Dor de morte. Dor que é sempre precedida por toda liberdade que esse mundo guarda. Dor que vale a pena. Pergunta-se se após a morte a dor fica, ou se a liberdade vem outra vez. Volta à superfície.  É sempre assim.

10 novembro, 2010

frasco

Mordisca-me a pele, sussurra um pouco de amor.
Perco tudo que julgava chão.

Senta em um banco cor de azul, acende um cigarro.
Pergunta o porque d'eu não acreditar em tua existência.
Acredito sim, eu respondo.
Só não acredito em tua presença.

(O estranho é não saber o que é teu corpo.
Sei de tua alma leve, de teu cheiro fresco, mas só.
Já não sei discernir o real).

06 novembro, 2010

Ser vento,
Ser mundo.

here

A gente foi brilhando, assim, feito estrela que cai do céu. Você me tomou nos braços.. Como é que tem passado os dias? Eu tenho me virado bem, até. Acordo toda manhã com teu sorriso me soprando os ouvidos, vou até a cozinha e bebo um copo de café. Tem sonhado comigo? Eu tenho tido sempre o mesmo sonho: To no começo de um vilarejo todo cor de caqui, você lá no final. Corro até você. É claro que nunca consigo te alcançar e que sempre acordo com agulhas me furando o coração. Que tem passado pela sua cabeça? As vezes eu fico tentando entender a vida, sabe? Mas ai me perco e acabo inventando cores pra tudo aquilo que não sabia explicar.. Ainda se lembra do meu nome? Eu já não consigo pronunciar o seu. Ele ta ali, flutuando na minha cabeça, mas não sai mais não. Acho que é outra das coisas que não consigo entender. Continua indo almoçar na casa do João? Ele me ligou ontem. Tava preocupado com você. Eu também to. To preocupada com a gente. Volta logo pra mim? - Acabo de dobrar o avião. Espero que esse você receba.