30 dezembro, 2011
sou
Meu corpo não é corpo. Não tenho pele, ou pulmões. Entro e saio de algo que inexiste. Explodo. Sinto cada fragmento de meu não ser se desconstruir em minúsculos grãos de nada que dizem não acreditar na gravidade. Pairam. Pairam até o fim de trinta e dois segundos, onde um movimento constante de atrair e repelir os toma e gera energia que me faz explodir outra vez. Gera um furacão, um redemoinho. Giro, giro, giro. Paro. A gravidade volta a existir. Ainda como nada, caio no mar.
07 novembro, 2011
from now on
Acordei com vontade de comprar uma casa na Lua, ou nos anéis de Saturno, mas, agora que o dia tá indo dormir e a chuva veio sarar, vejo que o que quero mesmo é uma casa em mim. Bem ali por entre as veias; com o barulho do coração no fundo, pra fingir que é o relógio lá de casa e matar um pouco as saudades. Saudades que vou sentir porque entro em mim e entro só. Entro pra ficar nadando com o sangue pelo quente e frio do meu corpo enquanto pinto tudo de azul. Depois eu saio. Saio com os ombros pintados de urucum, numa explosão caleidoscópica pelos olhos, e ele me canta uma canção que vai fazer até a dor de crescer sorrir.
04 outubro, 2011
vem, azul
Vem transbordar um pouco comigo.
[To te guardando uns sorrisos em forma de beijo que, de tantos, já quase não cabem em mim]
To te esperando.
Saudades,
[To te guardando uns sorrisos em forma de beijo que, de tantos, já quase não cabem em mim]
To te esperando.
Saudades,
23 setembro, 2011
Capítulo 30 - Ensaio
Alice tinha os olhos castanhos, azuis e quase sempre lilás. Tinha corpo de menina e alma de quem já viveu. Viveu em mundos longe desse, alegres ou tristes, eu não saberia dizer.
Levou-me para o sul, para o norte e um pouco mais além. Bebemos tinha guaxe até congelar o ser e juramos nosso amor enquanto o sol foi dormir. Ela reluzia e saia para voar. Chamou-me algumas vezes.. Agora está por lá.
[Alice é livre, solta e bordada de estrelas]
Levou-me para o sul, para o norte e um pouco mais além. Bebemos tinha guaxe até congelar o ser e juramos nosso amor enquanto o sol foi dormir. Ela reluzia e saia para voar. Chamou-me algumas vezes.. Agora está por lá.
[Alice é livre, solta e bordada de estrelas]
19 setembro, 2011
prólogo
Tem muito tempo desde a ultima vez que escrevi. Muito tempo desde tanta coisa.. Pus a alma pra dormir pensando que era só descanso.
Hoje ela acordou. Acordou doída como quem acaba de cair no mundo depois de um sonho bom (sonho que não existiu; nada existiu, flutuei). Sorrio, contudo. Sei que não vou pô-la pra dormir sem querer de novo. Sei que, dessa vez, viro poesia. Viro poesia mesmo que só depois.
Hoje ela acordou. Acordou doída como quem acaba de cair no mundo depois de um sonho bom (sonho que não existiu; nada existiu, flutuei). Sorrio, contudo. Sei que não vou pô-la pra dormir sem querer de novo. Sei que, dessa vez, viro poesia. Viro poesia mesmo que só depois.
E vou sair cantada da boca de um raio de sol.
25 agosto, 2011
brincando
ele tava ali,
deitado no sofá.
respirando
como quem dança sem saber
- e realmente não sabia.
[voava dentro de mim]
menino bonito,
põe-me a dançar?
17 agosto, 2011
16 julho, 2011
diário de um bibliotecário. segundo banco do parque.
Construí meu primeiro amor com uma garota de olhos castanhos chamada Lua. Éramos muito jovens quando o fizemos e mais jovens ainda quando nos perdemos. Lembro-me de ter sido o mais doce. Sempre é. O primeiro é construído por um corpo que ainda é só sol.. Não precisa gastar a luz com curas. Só brilhava, voava.
Há muito perdi o contato com ela, mas, até hoje, quando a tarde vai acabando e as nuvens se fazem de espelho pro sol, digo que a amo. Sempre vou amar.
Há muito perdi o contato com ela, mas, até hoje, quando a tarde vai acabando e as nuvens se fazem de espelho pro sol, digo que a amo. Sempre vou amar.
17 junho, 2011
diário de um bibliotecário. agosto.
“Quero nadar até a lua” ela dizia em seus momentos de sanidade. Alias, após a conhecer, acredito que essa palavra possa vir a ser um mero caso de modo de ver. Gabrielle havia me apresentado ao amor, à lua e a quase todos os poços da loucura. Encontrei-a pela primeira vez quando voltava da biblioteca. Estava sobre o apoio de uma ponte, os braços abertos. Acreditando que ia cometer suicídio, corri para segurá-la. Ela riu por dois minutos ininterruptos. Disse que não precisava morrer para presenciar a morte, estava só sonhando. De fato a achei louca e preferi deixa-la, mas não antes de me fascinar. Diferente de mim, que tinha lido grandes clássicos e, por meio desses, viajado nos delírios de surrealistas, bebido da dor dos românticos e até subido ao topo da torre com Ismália, ela nada havia lido e, mesmo assim, vivia como se o manuscrito destas houvesse vindo junto com sua alma. Ela era linda. Louca e linda. É claro que até hoje não consigo tirá-la de meus pensamentos.
15 junho, 2011
Capítulo 29
“Como ele é, pra você?” Garrel me pergunta. Está sentado sob um baixo muro de pedra; Os pés mergulhados no lago onde estou. “Ele tem tons d’um azul tão forte qu'eu nunca pude realmente ver seus traços. Os pés sempre no ar.. É uma explosão de fogos de artifício e todas as copas de árvores que me cruzam o caminho.” A correnteza brinca com minhas veias e roça-me os anseios “Só não me pergunte como ele é pros outros, porque isso ele nunca foi pra mim”
february sc/tars
acorda sem saber onde está, a água lhe tocando os cabelos. não fossem pelos feixes de luz, não saberia que o lugar estava alagando. continua lá, contudo. não ve porque levantar se nem mesmo sabe o porque de estar ali..
Capítulo 28
Stella está sentada em seu café favorito lendo contos de Poe. Observo-a de longe, sem a intenção de me aproximar; gostava de vê-la quieta, assim, como se nada existisse.
Um homem se aproxima, “Porque és tão quieta?” Ele pergunta. Ela vira outra pagina, olha-lhe nos olhos. “Sou triste.”
“Também sou.”
Um homem se aproxima, “Porque és tão quieta?” Ele pergunta. Ela vira outra pagina, olha-lhe nos olhos. “Sou triste.”
“Também sou.”
29 maio, 2011
fiebre
"Porque elas vão embora?" eu pergunto, "Porque elas sempre vão embora?" Ele ri, enquanto contorna meu seio com o polegar. Estamos sentados no vagão de um trem, esperando o dia chegar. A pele dele em volta da minha pra espantar o frio que mesmo assim ainda sinto. Frio que me devora e enlouquece e não consigo parar de querê-las ali. "Elas deviam estar aqui. Todas elas. Todas as que amei e ainda amo. Porque não estão?"
08 maio, 2011
08 abril, 2011
06 abril, 2011
vem,
Tuas mãos frias escorregam por meu corpo ardente em febre. Sorri. É leve, sutil; respira como se pusesse toda a alma para dançar. Temos um amor cansado, amor de outros amores.. Acaricia-me os lábios enquanto balbucia um tango qualquer. Fecho os olhos. Amanheço só.
21 março, 2011
valer
Um delírio para sempre que não é desde sempre. Um giro vertiginoso que nos faz sangrar..
Caos. E dentre todo caos, vontade de voar. Voar com outro alguém nessa linha leve, leve que dança com o céu.
Caos. E dentre todo caos, vontade de voar. Voar com outro alguém nessa linha leve, leve que dança com o céu.
18 março, 2011
01 março, 2011
16 fevereiro, 2011
na direção do acaso
Ele deita em um girassol, é engraçado sermos tão pequenos. Minha pele está coberta por pólem. O amarelo se difunde com os raios de sol e forma todas as cores qu'eu nunca vi. Nossos corpos se tocam e tudo esquenta; começamos a crescer. Escorregamos até o chão e a queda é d'uma eternidade que nos permite voar. Ele ri. Eu rio, sorrio.
06 fevereiro, 2011
cor de girassóis
"Qu'eu me lembre da cor dos teus olhos" Ela repetia em silêncio, enquanto ele lhe beijava a testa. Era o quinto dia de abril e, como pedia o mês, tudo estava cheio de sol e ternura. Saíram com o objetivo de caminhar até o fim do mundo, mas o corpo que há muito já não era o mesmo obrigou-os a parar poucos passos depois. Ele não ligava. Beijava e abraçava o cansaço de sua mulher. Ela se dizia irritada, se punha a correr para longe. Ele ficava ali parado, apanhava uma flor. Sabia que logo ela voltava. E ela voltava. Voltava todas as vezes do mundo não importa o quão longe tivesse ido. Gostava de vê-los sorrindo um pro outro, assim, como se o tempo não importasse. Fazia-me acreditar que talvez um dia também não fosse importar para mim.
do dia que enfim me conectei ao vazio que sempre tentou me consumir
Todos parecem passar a vida buscando algo.. Mais e mais e por vezes o pior. Como se chegar ao extremo fosse a única coisa que importasse. Você me fez diferente. Preencheu-me com outra sensação. O auge traz sempre a queda e você.. Você não era o auge. Não era mais, ou menos. Talvez houvesse uma queda ali. Talvez tudo só soou assim porque, naquele momento, eu fosse incapaz de ver. Mas você foi meu relance de eternidade. Não foi doce, ou bonito. Não foi como estar voando. Não senti fome, ou sede. Não senti coisa alguma. Pela primeira vez em toda a minha vida não senti necessidade de abocanhar o céu ou a lua, você era o suficiente.
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