16 fevereiro, 2011
na direção do acaso
Ele deita em um girassol, é engraçado sermos tão pequenos. Minha pele está coberta por pólem. O amarelo se difunde com os raios de sol e forma todas as cores qu'eu nunca vi. Nossos corpos se tocam e tudo esquenta; começamos a crescer. Escorregamos até o chão e a queda é d'uma eternidade que nos permite voar. Ele ri. Eu rio, sorrio.
06 fevereiro, 2011
cor de girassóis
"Qu'eu me lembre da cor dos teus olhos" Ela repetia em silêncio, enquanto ele lhe beijava a testa. Era o quinto dia de abril e, como pedia o mês, tudo estava cheio de sol e ternura. Saíram com o objetivo de caminhar até o fim do mundo, mas o corpo que há muito já não era o mesmo obrigou-os a parar poucos passos depois. Ele não ligava. Beijava e abraçava o cansaço de sua mulher. Ela se dizia irritada, se punha a correr para longe. Ele ficava ali parado, apanhava uma flor. Sabia que logo ela voltava. E ela voltava. Voltava todas as vezes do mundo não importa o quão longe tivesse ido. Gostava de vê-los sorrindo um pro outro, assim, como se o tempo não importasse. Fazia-me acreditar que talvez um dia também não fosse importar para mim.
do dia que enfim me conectei ao vazio que sempre tentou me consumir
Todos parecem passar a vida buscando algo.. Mais e mais e por vezes o pior. Como se chegar ao extremo fosse a única coisa que importasse. Você me fez diferente. Preencheu-me com outra sensação. O auge traz sempre a queda e você.. Você não era o auge. Não era mais, ou menos. Talvez houvesse uma queda ali. Talvez tudo só soou assim porque, naquele momento, eu fosse incapaz de ver. Mas você foi meu relance de eternidade. Não foi doce, ou bonito. Não foi como estar voando. Não senti fome, ou sede. Não senti coisa alguma. Pela primeira vez em toda a minha vida não senti necessidade de abocanhar o céu ou a lua, você era o suficiente.
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