17 junho, 2011

diário de um bibliotecário. agosto.

“Quero nadar até a lua” ela dizia em seus momentos de sanidade. Alias, após a conhecer, acredito que essa palavra possa vir a ser um mero caso de modo de ver. Gabrielle havia me apresentado ao amor, à lua e a quase todos os poços da loucura. Encontrei-a pela primeira vez quando voltava da biblioteca. Estava sobre o apoio de uma ponte, os braços abertos. Acreditando que ia cometer suicídio, corri para segurá-la. Ela riu por dois minutos ininterruptos. Disse que não precisava morrer para presenciar a morte, estava só sonhando. De fato a achei louca e preferi deixa-la, mas não antes de me fascinar. Diferente de mim, que tinha lido grandes clássicos e, por meio desses, viajado nos delírios de surrealistas, bebido da dor dos românticos e até subido ao topo da torre com Ismália, ela nada havia lido e, mesmo assim, vivia como se o manuscrito destas houvesse vindo junto com sua alma. Ela era linda. Louca e linda. É claro que até hoje não consigo tirá-la de meus pensamentos.


15 junho, 2011

Capítulo 29

“Como ele é, pra você?” Garrel me pergunta. Está sentado sob um baixo muro de pedra; Os pés mergulhados no lago onde estou. “Ele tem tons d’um azul tão forte qu'eu nunca pude realmente ver seus traços. Os pés sempre no ar.. É uma explosão de fogos de artifício e todas as copas de árvores que me cruzam o caminho.” A correnteza brinca com minhas veias e roça-me os anseios “Só não me pergunte como ele é pros outros, porque isso ele nunca foi pra mim”

february sc/tars

acorda sem saber onde está, a água lhe tocando os cabelos. não fossem pelos feixes de luz, não saberia que o lugar estava alagando. continua lá, contudo. não ve porque levantar se nem mesmo sabe o porque de estar ali..

Capítulo 28

Stella está sentada em seu café favorito lendo contos de Poe. Observo-a de longe, sem a intenção de me aproximar; gostava de vê-la quieta, assim, como se nada existisse.

Um homem se aproxima, “Porque és tão quieta?” Ele pergunta. Ela vira outra pagina, olha-lhe nos olhos. “Sou triste.”
  
“Também sou.”