Acordei com vontade de comprar uma casa na Lua, ou nos anéis de Saturno, mas, agora que o dia tá indo dormir e a chuva veio sarar, vejo que o que quero mesmo é uma casa em mim. Bem ali por entre as veias; com o barulho do coração no fundo, pra fingir que é o relógio lá de casa e matar um pouco as saudades. Saudades que vou sentir porque entro em mim e entro só. Entro pra ficar nadando com o sangue pelo quente e frio do meu corpo enquanto pinto tudo de azul. Depois eu saio. Saio com os ombros pintados de urucum, numa explosão caleidoscópica pelos olhos, e ele me canta uma canção que vai fazer até a dor de crescer sorrir.