16 fevereiro, 2012

IVX


Toda quinta ele vinha, sentava no parapeito da janela e bebia três goles de café. Eu ficava lá olhando, recitava em silêncio todas as cicatrizes que lhe marcavam a pele. Gostava de pintar páginas marcadas de meus livros velhos. Punha-me deitada, nua, sobre o sofá cor de carmim, pra então me morder as costas e pingar guaxe gelada em meus ombros. Tudo parava.

"Aprendi a voar"