20 dezembro, 2012
carta à uma águia,
um pedaço meu é seu e entendo sem entender que isso possa te preocupar. o importante aqui é dizer como entendo e encaixo o que acontece, aqui, dentro de mim.
ao meu ver, emoções são abstratas para caber e descaber quantas vezes for necessário. são imensuráveis por motivos obvios de que se não fosse assim, o homem ia ter que ser muito maior. esse pedaço é seu da mesma forma que outros são e serão de tudo aquilo que me tocar. isso não diminui ou amenta seja lá o que for que eu sinta ou venha a sentir. isso é o bonito, é o que faz girar. por algum motivo tenho em mim a certeza de que não cabe a mim parar de sentir por medo de não caber ao ponto de me rasgar a pele pra conseguir sair, como já fez. se isso aconteceu foi porque senti bem forte e, por sentir, não sou nada além de grata. entre tantos devaneios queria dizer que, com todo meu coração, queria deixar esse pedaço que é teu guiar todos meus sentidos pelo tempo que couber, por seja lá o que for que vier. dizer-te que não tenho medo de me machucar, que isso só é uma prova que tocou e que se tem alguma coisa que motiva essa vontade de viver que quase sempre me escapa pelos dedos é a possibilidade de ser tocada. com o tempo eu aprendi a me deixar tocar pelas cores, pela folhas e o vento, mas, fica aqui o segredo de que não existe algo que me impulsione mais do que um outro me tocar e que, infelizmente, isso me parece tão mais dificil que o normal.
passei o dia todo com nirvana tocando na minha cabeça, tem tanta coisa sobre mim que eu queria te contar. tanta alma que eu queria deixar fluir. grunge chegou na minha vida no mesmo momento que a vista pro outro lado também, e, apesar de quase não escutar mais, em dias como hoje algum som assim toca em mim. quietinho, lá no fundo, lembrando-me de tudo que já senti. essa carta é mais uma conversa que por medo de nunca travar contigo, resolvi escrever. tenho me perdido com a escrita, contudo, algo no processo me trava. comecei a gravar devaneios meus e de primeira foi muito estranho e quase não saiu, mas agora tenho me acostumado e pensado que me ouvir falando, ao invés de só ler, parece mais transparente. chegando no que parece ser o final dessa conversa, quero contar que tem um passarinho bem perto daqui que fica me olhando e que ele não parecer saber o que é piscar. fiquei um tempão encarando e o fato dele não piscar fez com que eu sentisse que o tempo tivesse parado - guardei essa conversa nesse pedaço de tempo que parou e, mesmo que nunca te alcance, foi bom soltar. amo você e espero, do fundo do meu coração, que vivamos. seja lá o que for.
ps: essas palavras que escrevo pra você são o sorriso mais leve que eu poderia dar.
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