10 novembro, 2014

gamela

eu nunca tinha sentido tesão em cima de uma árvore,

sentada com meu sexo pressionado contra um galho, minha língua que pulsa faminta se sacia num desejo sincero e energia flui (da árvore) até mim. tudo parece seguir um ritmo circular.
cada vez que me dou conta disso mergulho em tamanha vertigem que não posso acreditar que venha só de mim. "você tá sentindo isso?" cada textura me convida a sentir!; minhas mãos parecem se mover sozinhas; correm também elas mesmas em direção ao galho, as palmas voltadas pra baixo, soltas.
levanto o olhar e encontro as pupilas mais belas da cidade brilhando contra o sol. tanto sol que faz uma boca escorrer na outra, vagalume sorrir na palma dos pés e olho imitar lua.

eu mesma sorrio de uma ponta a outra até o sol,

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