20 dezembro, 2014

Epílogo i (* também posfácio não posto em ordem numérica)

Acompanhei-me de um amor anárquico, chamava-se Iury e carregava consigo todo sol que há no mundo dentro dos olhos. Éramos o que éramos sempre, sem que nenhum de nós deixasse suas vontades de lado. A transa era tão sincera que sentia sempre nossa energia se encontrando dentro de mim.

Íamos sempre a parques, ele gostava de praticar os malabares e tocar pife e eu aproveitava sempre para meditar. Desenhei e escrevi bastante nesses dias. Praticávamos bastante yoga - a terra parecia sempre nos saudar. ]

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Sorri de manhã, a pele morena do Iury já não estava mais ao meu lado, mas antes mesmo que eu pensasse em algo, ele abre a porta com duas xícaras de chá na mão. [Tem manhã que eu acho que sorri inteira até o almoço. Sorria mesmo enquanto bebia chá.] "Vamo dropá?"

Enquanto corta o papel em dois triângulos exatos, olho o rio pela janela, e lembro que nesse quarto, de noite, uma luz na rua gosta de fazer de conta que é o sol se pondo contra a parede em frente a cama. "Aqui" Me entrega e brindamos com as mãos e os olhos.

(...)

Acordo deitada em baixo duma árvore, a primeira coisa que noto é uma raposa com a alça da minha bolsa na boca, levo um puta susto que acorda o Iury e só faz ela cruzar o olhar com o meu. Calma, solta a alça da bolsa e segue caminhando tranquila, parece deslizar por onde passa, o vento roçando os pelos dela em favor do caminho que segue.

Iury me aponta o sol se pondo por trás das folhas, "Se você olha no plano delas dá pra ver um desenho lindo". Já estamos sentados um do lado do outro, a noite sempre traz pelo menos um pouco de frio em Londres e para nos esquentar dividíamos um xale verde - com o toque mais suave que eu podia imaginar - que há alguns meses eu havia achado na Irlanda.

Quando já faz frio suficiente, saímos andando de mãos dadas. Cantamos e seguimos sem nos preocupar; Juntos no agora, acreditamos no caminho que o mundo nos leva.

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